Falar sobre as conquistas do André requer muito espaço pois são inúmeras e as mais importantes a nível mundial. Aqui apenas uma pequena lembrança e um resumo. O André voa hoje com uma Litespeed RS. O pessoal da Moyes deve ter colocado o novo brinquedo na mão dele na esperança de ver o RS no ponto mais alto do podium. Piloto focado nos seus objetivos, atualmente tem o terceiro vôo mais longo de asa delta no mundo. André fez um vôo de 643 km de distância no Texas, naquela época que o Manfred bateu o recorde mundial com seus 700 km. Manfred, Mike Barber e André Wolf são os 3 terráqueos com os vôos mais longos de asa delta deste mundo. Figura presente nos dias clássicos das temporadas de cross country no RS está sempre atras de quebra de recordes de distância e de vencer nosso Campeonato Danton Leal. Aliás, sua conquista mais recente é recorde estadual de distância numa asa delta, 322 km. O anterior a este, era dele também... O recorde de distância de Santa Catarina também é do André. O recorde sul-americano, batido em novembro de 2007 com 452km, também é do André. Ele também é o atual campeão brasileiro. Vem de lá André!
Nome: André Wolf.
Idade: 44.
Tempo de vôo: 24 anos.
Porque começou a voar? Vi um programa na TV sobre asa delta e fui atrás...
Quem foi teu instrutor? Foi o Danton Leal...talvez venha daí a minha fome por "cross".
Quais são os pilotos que aprenderam a voar contigo, tua geração: Aprendi junto com o Marcel e o Ricardo (passivo) que hoje mora em São Paulo e voa de rígida. Já voavam o Betinho, Carlão, Ricardão, Toninho.
Suas conquistas mais importantes no vôo livre:
Sem dúvida minha conquista mais importante foi o vice mundial em 1999 na Itália junto com o mundial por equipes (ver foto a segiur: André, Manfred e Pedrão). Tem também os três brasileiros em 1995, 2000 e 2007.
Local preferido de vôo, porque: Meu local preferido de vôo é o Texas pela consistência e pelo fato de ser um vôo bem forte sem ser muito turbulento. Sempre gostei do vôo lá, muito antes de ser escolhido para ser sede do próximo mundial. A propósito disso, acho que vai ser um mundial em que o Brasil terá novamente chances de ser campeão por equipes.
Manobra que mais gosta no vôo livre: Eu gosto do vôo técnico, baseado únicamente na atividade térmica, princípio que os planadores já usam a muito tempo.
O que não gosta no vôo livre? Sei que sou muito criticado por isso, mas não gosto do vôo que não tenha um objetivo. Ir a Sapiranga dar um prego ou fazer um "lift" é uma tortura para mim, mesmo que pense que deveria estar treinando, fazendo horas de vôo.
Piloto que você admira, porque? Sempre gostei do estilo de vôo do Phil Haegler, que era bem agressivo. Me lembro bem de uma etapa em Brasília que ele matou as sete provas, fez 7000 pontos. Era um absurdo, ele decolava e ninguém mais o via até o gol. Infelizmente esse estilo de piloto foi desaparecendo porque as fórmulas dos campeonatos não privilegiam o risco, então fica todo mundo se marcando até o final. Eu sou a favor de reformular isso, mas parece que a maioria dos pilotos não é. Também não posso deixar de falar no Manfred, que para mim foi o melhor piloto até hoje. Acho que se não tivesse parado já teria mais que os três títulos mundiais.
Até que idade pensa em voar? Acho que em competições vou parar mais cedo ou mais tarde... mas aquele voinho de "cross" por cima de Montenegro vai continuar por muitos e muitos anos.
Sua opinião sobre o Campeonato Danton Leal: Apesar de voar vários campeonatos, hoje em dia é sem dúvidas o que mais me motiva e dá prazer. Acho que que é um campeonato de sucesso que existe há muitos anos e vai continuar existindo por muitos outros. Acho a possibilidade de decolar perto do meio-dia e voar até quase o anoitecer uma coisa sensacional. Enquanto o meu corpo aguentar isso, vou continuar fazendo.
Mundial do Texas, comente sobre a sua participação e da equipe brasileira: Foi decepcionante voar tão mal por lá esse ano, principalmente em um ano que eu voei tão bem por aqui, ganhando até o brasileiro de novo. A equipe brasileira também decepcionou, mas faz parte de qualquer esporte. Sem querer achar uma desculpa, acho que a coisa que mais nos prejudicou foi ter voado lá em 2006 numa condição muito boa. Acho que fomos em 2007 com aquela imagem de um Texas "bombando" e não estávamos preparados para um Texas "merrecando". Deveríamos ter mudado nossa tática completamente e não fizemos isso. Pagamos o preço...
O que pensa sobre o futuro da asa delta e o que poderia melhorar para o crescimento do esporte? Pergunta difícil pois o vôo de asa vem tendo uma diminuição no número de praticantes no mundo inteiro. Não é uma coisa só do Brasil. Gostaria de poder dar sugestões, mas acho que é um movimento parecido com o que houve com o planador. Tivemos uma década de euforia e moda nos anos 80 e depois acabaram ficando no esporte somente aqueles que gostavam muito.
Acho que a falta de renovação tem muito a ver com a chegada da internet. Acho que a mudança de costumes afetou não só a asa delta mas também a grande maioria dos esportes que são praticados ao ar livre.
Me lembro de uma vez em que meu filho, que estava com 16 anos na época, me pediu para dar uma palestra informal no colégio dele. Preparei algo bem legal com muitos vídeos, inclusive um em que eu voava com meu cachorro. Fiz uma palestra em que o grupo que era de uns 50 adolescentes me pareceu fascinado. Eu imaginei que ao final da palestra "arrecadaria" vários futuros pilotos. Mas, para minha surpresa total, só uma menina veio me perguntar ao final como poderia fazer para aprender. Expliquei a ela os passos normais ao que ela me retrucou: "mas dá trabalho?". Aí respondi que um pouco de trabalho e empenho precisaria. Sua resposta: "ha, se dá trabalho eu não quero".
Com isso concluo que os esportes praticados ao ar livre vão ficar cada vez mais restritos a poucos "privilegiados cidadãos". O resto da humanidade vai se satisfazer apenas em ficar dentro de uma sala na frente de um computador. Alguns terão emoções reais e outros virtuais. Infelizmente acho que essa mudança não tem volta.
Expectativas para 2008: Estou muito motivado para esse ano. Pretendo voar todas as etapas do brasileiro, um campeonato nos Estados Unidos e voltar ao nordeste no final do ano para tentar aumentar o recorde sul-americano de 452 km que bati em novembro de 2007.
Algo que gostaria de colocar: Acho que o vôo livre tem um significado diferente para cada piloto. Para mim é uma filosofia de vida que ao longo dos anos vem me ajudando a achar meu ponto de equilíbrio. Na verdade o vôo livre e a minha vida pessoal estão diretamente ligados e se misturam. Minhas melhores memórias são e sempre serão das pessoas e dos lugares que conheci enquanto aprendia a voar.
Créditos: Grande parte desta matéria foi feita por Luiz Felipe Rodrigues "Neko" e retirada do blog asadeltars.blogspot.com.